Antes de abordarmos maneiras específicas de implementar o ministério em pequenos grupos, vamos começar com as prioridades de Deus!
De Livro Casa a Casa capítulo 3
por Larry Kreider
É natural que busquemos fórmulas e métodos para cumprir os planos do Senhor. Contudo, quanto mais crescemos no Senhor, mais percebemos que a maneira como pensamos com nossa mente natural muitas vezes não corresponde ao que o Senhor tem em mente. Portanto, antes de abordarmos maneiras específicas de implementar o ministério em pequenos grupos, comecemos pelas prioridades de Deus.
Eclesiastes 4:12 nos diz: “Um cordão de três dobras não se rompe facilmente”. As três dobras que formam o núcleo da vida cristã são: oração (conhecendo a Deus), evangelismo (alcançando aqueles que não conhecem Jesus), e discipulado (treinar novos crentes).
Oração: Conhecendo a Deus
Deus nos chamou, antes de tudo, para confiarmos nele! Mateus 28 nos diz que Jesus designou um lugar específico para se encontrar com seus discípulos. E quando o viram, o adoraram.
Então os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes havia indicado. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. Então Jesus aproximou-se deles e disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28:18-20).
Jesus nos chamou para nos encontrarmos com Ele e adorá-Lo todos os dias. O Senhor nos diz em João 17:3 que a vida eterna é conhecê-Lo. Nossa prioridade número um deve ser passar tempo com Ele diariamente. Se não colocarmos Jesus em primeiro lugar, nosso ministério de pequenos grupos ou qualquer outro ministério se tornará apenas mais um programa da igreja.
Muitas vezes, quando prego em igrejas e conferências, minha esposa, LaVerne, não viaja comigo. Nessas viagens, sinto grande alegria em procurar em minha bagagem uma mensagem de amor especial que ela escondeu. Adoro ler essas mensagens, porque a amo. Se eu não tivesse mais vontade de lê-las, seria um sinal de alerta de que meu amor por ela está diminuindo. Você anseia por ler suas cartas de amor de Jesus? É disso que a Bíblia está repleta: cartas de amor do Deus que nos ama.
Jesus diz em Mateus 4:4: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Preciso de uma nova palavra do Senhor todos os dias. Se eu estiver vivendo do maná da semana passada, começarei a ficar fraco e até mesmo adoecer espiritualmente. Somente cristãos saudáveis terão algo para oferecer aos outros. Não há substituto para a comunhão com Deus em oração e em Sua Palavra. Devemos cultivar nosso relacionamento com o Senhor Jesus todos os dias.
Se sua vida de oração precisa de um impulso, recomendo que leia meu livro intitulado Sua Casa Pessoal de Oração¹ e experimente uma transformação radical em sua vida de oração!¹ Os princípios dados por Deus neste livro mudaram radicalmente minha vida de oração pessoal.
Evangelismo: Alcançar aqueles que não conhecem Jesus
Jesus passou grande parte do seu tempo com os cobradores de impostos e os pecadores da sua época. Seu coração se compadecia daqueles que não viviam segundo a vontade de Deus. As pessoas que odiavam Jesus não eram os pecadores, mas os líderes religiosos. Precisamos ter cuidado para não nos concentrarmos mais na política da igreja, em opiniões pessoais e na autopreservação do que nas prioridades de Jesus.
A Bíblia diz: “O Filho de Deus se manifestou para destruir as obras do diabo” (1 João 3:8). As obras do diabo estão por toda parte. Nossas comunidades estão cheias de vidas destruídas, medo, abuso, perversão, assassinato de crianças não nascidas, imoralidade, materialismo e luxúria. Jesus veio para destruir essas obras!
Nossa motivação principal para nos envolvermos no ministério deve ser a mesma do nosso Senhor Jesus: destruir as obras do diabo. Jesus é a resposta para todos os problemas. Ele é o grande Redentor. Ele veio para restaurar completamente cada homem, mulher e criança. As Escrituras nos dizem: “Como crerão naquele de quem não ouviram falar?” (Romanos 10:14). Somos comissionados pelo nosso Senhor Jesus Cristo para alcançar aqueles que ainda não depositaram sua confiança nele. Pequenos grupos e microigrejas estão entre as ferramentas que podemos usar para cumprir essa missão.
Jesus disse aos seus discípulos em Mateus 28: "Ide", sabendo que toda a autoridade lhe havia sido dada no céu e na terra. Ele prometeu estar sempre com eles, assim como sempre estará conosco. Muitas vezes, os cristãos não sentem a presença do Senhor. Será que estão tão absortos nas preocupações deste mundo que se sentem incapazes de obedecer ao mandamento de ir e compartilhar Jesus com aqueles que ainda não creem nele?
Discipulado: Treinando novos crentes
Jesus nos ordena em Mateus 28:19-20: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei”. A menos que tenhamos uma compreensão clara de que fazer discípulos está entre as principais prioridades de Deus, o ministério será apenas mais um programa religioso.
Jesus tinha a visão de revolucionar o mundo — pessoa por pessoa, casa por casa. Dentre a multidão de seus seguidores, Ele escolheu apenas doze para serem seus discípulos, designando-os apóstolos, para que estivessem com Ele e Ele os enviasse para pregar (ver Marcos 3:14). Ele dedicou tempo especial a três deles: Pedro, Tiago e João. João era claramente o discípulo a quem Jesus amava.
Ao conviver em estreita colaboração com seus discípulos, dia após dia, Jesus lhes dava um treinamento intenso, demonstrava seu poder miraculoso, explicava suas parábolas e respondia às suas perguntas.
Um discípulo é um aprendiz ou um ascendente. Jesus proporcionou aos seus discípulos inúmeras oportunidades para praticar e exercitar os ensinamentos que lhes transmitia. Ele dedicou a sua vida a eles por meio de um contato próximo e diário durante três anos. Ao observarmos a interação de Jesus com esses doze homens, vemos um modelo do que poderia ser considerado o primeiro pequeno grupo na história da igreja.
O Senhor nos ordena a ir e fazer o mesmo. Tudo o que Ele nos ensinou, devemos ensinar aos outros. Isso se aplica não apenas ao conhecimento bíblico, mas também ao cristianismo prático. A maneira mais eficaz de ensinar um jovem marido a amar e honrar sua esposa é você amar e honrar a sua própria esposa. A melhor maneira de ensinar outro cristão a ter um orçamento financeiro claro é mostrando a ele como você elabora um orçamento. Se você acredita que o Senhor o chamou para ensinar um novo cristão a orar, então ore com ele! Ensinamos aos outros modelando as verdades bíblicas com nossas próprias vidas.
A Bíblia oferece muitos exemplos de discipulado. O apóstolo Paulo levou o jovem Timóteo consigo como discípulo (ver Atos 16). Mais tarde, Timóteo foi enviado para fazer o mesmo: levar as verdades que aprendeu com Paulo e transmiti-las a outros (ver 2 Timóteo 2:2). Moisés teve Josué como discípulo por quarenta anos, preparando-o para a liderança. Elias encontrou Eliseu e tornou-se seu mentor. A lista é extensa. O Senhor está restaurando a verdade do discipulado amoroso à Sua igreja hoje. Ele nos chamou para fazer discípulos.
Costumamos chamar isso de “parentalidade espiritual”. A intenção de Deus é levantar pais espirituais que estejam dispostos a nutrir filhos espirituais e ajudá-los a crescer em sua vida cristã. Dessa forma, eles fazem um investimento espiritual ao reconhecerem o potencial de outros em Cristo e se disponibilizarem para discipulá-los. Isso é o cumprimento da promessa do Senhor de “converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais” (Malaquias 4:6). Os filhos espirituais precisam ter pais espirituais em suas vidas que demonstrem caráter piedoso e lhes digam que são dádivas valiosas de Deus.
Em meu livro O Clamor pelos Pais e Mães Espirituais, Revelarei o que acontece quando a educação espiritual não ocorre. Explico que, com muita frequência, na igreja atual, o cristão é incentivado a participar de cultos, estudos bíblicos ou ministérios evangelísticos para "crescer e se fortalecer no Senhor". A teoria é que quanto mais ensinamentos da Palavra de Deus e interação com outros crentes, mais maduro espiritualmente ele se tornará. Por mais importantes que sejam essas práticas, essa suposição equivocada leva a pessoa a absorver mensagem após mensagem e livro após livro para preencher o vazio de um relacionamento genuíno.
Um crente se torna espiritualmente intolerante e falha em interpretar o que está aprendendo para poder transmiti-lo a outros. Ele não sabe como compartilhar sua vida com os outros de forma significativa e sacrificial porque nunca foi devidamente guiado por um Pai. Sem um modelo a seguir, ele permanece uma criança espiritual, precisando ser alimentado com colher por seu pastor ou outro obreiro cristão.3
Cristianismo não se resume a sentar em uma cadeira acolchoada todo domingo de manhã, olhando para a nuca de alguém. Cristianismo é confiar em Jesus, alcançar os não-cristãos e fazer discípulos. Essa deve ser a motivação de nossos corações para que possamos cumprir eficazmente os propósitos do Senhor. Você descobrirá os três pilares da oração, evangelismo e discipulado surgindo repetidamente nestas páginas.
Como essas prioridades se expressam nas diferentes estruturas da igreja hoje? Que tipos de igrejas Deus usa para cumprir Seus propósitos?
Saiba mais sobre construção com pequenos grupos.
Atualizado para uma nova geração: casa em casa Livro de Larry Kreider disponível em formato impresso, e-book ou audiolivro.